Chi Kung

Em essência, o Chi Kung (Qi Gong) é o estudo da energia. A premissa básica do seu aprendizado é que ele oferece às pessoas um método para que elas fortaleçam o corpo, a mente e o espírito com energia, a fim de que tenham maiores possibilidades de longevidade, prevenindo doenças e o envelhecimento prematuro.

No Ocidente é comum pensar que basta nos exercitarmos fisicamente para nos tornarmos fortes e saudáveis, mas esse não é necessariamente o caso. O exercício ocidental consome enormes quantidades de energia, e por isso, embora um programa de exercícios pareça fornecer inicialmente bastante energia, com o tempo ele esgota o corpo e acelera o envelhecimento. O exercício oriental, por outro lado, tem o objetivo de preservar a energia e, portanto, favorece a saúde física.

 

História do Chi Kung (Qi Gong)

chi kungO estudo do Chi Kung (Qi Gong) remota há aproximadamente 4.000 anos, e ao longo dos séculos ele veio atraindo um número cada vez maior de praticantes. Só na China, cerca de 60 milhões de pessoas praticam essa arte.

Ninguém sabe ao certo quem foi o primeiro mestre de Chi Kung (Qi Gong). Contudo, o primeiro livro com informações sobre essa arte foi escrito em torno de 700 a. C., com o título de “O clássico da medicina interna do imperador amarelo”. A obra relacionava vários exercícios respiratórios e de alongamento.

Hua Tuo, conhecido como “pai da medicina chinesa”, criou um exercício chamado Jogo dos Cinco Animais. Essa nova série de movimentos ensinava as pessoas a manter a saúde e fortalecer o corpo utilizando o movimento dos animais que, no caso, eram o macaco, o pássaro, o cervo, o urso e o tigre.

Nas décadas iniciais do ano 500 d. C., um monge budista da Índia chamado Da Mo viajou para a China e desenvolveu uma série de exercícios a fim de manter os monges fortes e saudáveis. Ele escreveu dois livros: “Clássico da regeneração dos músculos e tendões” e “Clássico da purificação da medula”.

Mas o Chi Kung (Qi Gong) floresceu durante a Dinastia Tang, no século V d. C. quando Su Si Mao criou os “Seis sons de cura”, depois de constatar os efeitos terapêuticos que o som exerce sobre o corpo.

Entretanto, durante a maior parte de história da China, o Chi Kung (Qi Gong) só foi praticado por um grupo seleto de pessoas – taoístas, estudiosos confucianos, monges budistas, praticantes de artes marciais e alguns especialistas em medicina. Nas primeiras décadas do século XX, todas as formas de medicina e exercícios tradicionais foram banidas, pois o governo chinês decidiu introduzir e desenvolver tecnologia ocidental. Essa proibição continuou em vigor até a ascensão de Mao Tse Tung ao poder, na década de 1940. Em 1979, a arte do Chi Kung (Qi Gong) passou ao domínio público, motivada por uma série de razões.

Primeiro, a China compreendeu a importância de seu conhecimento perdido e iniciou nessa época em todo o país uma pesquisa exaustiva de todas as formas de tratamento antigas. O objetivo era registrar o maior número possível de tratamentos antes que eles desaparecessem. Segundo, e provavelmente a razão mais importante, é que a China não tinha médicos nem remédios em quantidade suficiente para atender adequadamente à sua população. Acredita-se que o Chi Kung (Qi Gong) é uma prática médica viável, junto com a acupuntura e a moxibustão.

 

Estilos de Qi Gong (Chi Kung)

chi kung marcialExistem vários tipos de Chi Kung (Qi Gong), cada um voltado para um objetivo específico. O Chi Kung (Qi Gong) mental é usado principalmente para manter a saúde mental, ensinando a controlar a mente para que o cérebro se mantenha ativo e alerta. Uma mente fraca muito provavelmente trará doenças como consequência. Por exemplo, o stress pode gerar uma úlcera. Ao relaxar e controlar sua mente, o corpo e a respiração, é possível eliminar esses problemas.

Já o Chi Kung (Qi Gong) terapêutico ensina o indivíduo a tratar de si mesmo e, nos níveis avançados, tratar outras pessoas. O praticante aprende a movimentar a energia qi (chi) através do corpo para que ela flua adequadamente. Outro estilo de Chi Kung (Qi Gong) é o marcial. Os exercícios têm o objetivo de aumentar a força muscular e a resistência física pelo uso da energia interna.

Por fim, existe o qi gong (chi kung) espiritual, que ensina a controlar as emoções e o espírito. Dizem que os monges taoístas da China praticavam intensamente esse estilo, pois ele acreditavam que esse tipo de Chi Kung (Qi Gong) os ensinava a viver por mais tempo e a alcançar a iluminação.

 

Fonte: CARNIE, L. V. Chi Gung (Qigong) – Cultura Chinesa, Energia e Magia Natural. São Paulo: Editora Pensamento. 2011. 12ª Edição.