Caligrafia Chinesa

Acredita-se que a escrita chinesa é uma das mais antigas e mais utilizadas do mundo. Os “Hàn Zì”, caracteres chineses, datam de aproximadamente 4.000 anos atrás. As primeiras inscrições eram esculpidas em ossos ou cascos de tartaruga. Posteriormente foram encontrados vestígios em cerâmicas, pergaminhos e madeiras. Em 123 a.C, graças ao ministro chinês da agricultura, Tsai-Lun, o mundo viu surgir a produção de papel a partir de fibras de bambu e da seda, ponto de partida para o papel que conhecemos hoje. A transição de um material para outro impactou diretamente na escrita chinesa, fazendo com que os símbolos sofressem uma série de mudanças, evoluindo de geração em geração.

Caracteres Han - Madeira

Da esquerda para a direita, pode-se observar como é e como já foi escrita a palavra “madeira” pela caligrafia chinesa

Depois de várias fases e formas, partindo de um traçado mais desenhado, foi possível chegar numa escrita mais regular, cuja principal característica é ser delineada rapidamente. Até 1956, já no período da República Popular da China, o governo promoveu a simplificação de diversos caracteres, diminuindo o número de traços. Depois disso, esse último conjunto de símbolos, conhecidos como “Jian Tizi”, passou a ser utilizado pela maioria da população.

 

Os caracteres chineses são logogramas e não ideogramas. As palavras são praticamente sinônimas. Ambos os termos indicam um desenho (símbolo) que corresponde a uma ideia ou noção. No entanto, o logograma corresponde a um símbolo que se relaciona diretamente com uma sequência fônica (um som ou uma combinação de sons), sem que fique claro se se trata de uma unidade mínima significativa (morfema). Por isso é que, por meio da escrita, um falante de mandarim pode se comunicar com um falante de cantonês, embora os dialetos sejam mutuamente ininteligíveis. Para os chineses, cada logograma corresponde a uma única sílaba, que por seu lado corresponde a um morfema. Portanto, um carácter, mesmo que não possa ocorrer isoladamente, tem sempre um significado. 

Caligrafia chinesa

 

 

O Grão Mestre Li Wing Kay é vice-presidente da Associação de Arte e Caligrafia Chinesa do Brasil. Seus trabalhos já foram expostos nos quatro cantos do planeta na tradicional exposição International Calligraphy Art and Culture Exibhition, que teve início em 1997 e já está na sua 17ª edição, contanto com a participação de obras de mais de 12 países.